A poesia do sapatinho na tragédia da enchente

Quando até desejar bom dia não parece apropriado!
Eu estava em um lugar,
Mas não estava lá...
Que direito tenho de não estar com a casa inundada
Com água até o pescoço
De não ter perdido ninguém da família pra força do rio?...
Teço um sapatinho de tricô
Para um bebê que sobreviverá à tragédia
Enquanto teço, vejo os dedinhos rosados dos pezinhos que usarão os sapatinhos
E meu coração também aquece, tem calor humano neste pensamento.
Mas é “só” UM bebê, penso
Ao que logo retruco:
Não, são dois: um bebê sem frio nos pés e uma mãe com o calorzinho de um sorriso no meio da tragédia
Ao ver seu bebê aquecido...
Não é muito, mas faço...
Pior seria o desdém, a ignorância, dar as costas
Dou meu amor, através de lãs, linhas e pontos, entrelaçando dedinhos rosados de frio
Que se tornam rosados de amor...




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