A poesia do sapatinho na tragédia da enchente
- dulcescalzilli
- 18 de fev. de 2025
- 1 min de leitura

Quando até desejar bom dia não parece apropriado!
Eu estava em um lugar,
Mas não estava lá...
Que direito tenho de não estar com a casa inundada
Com água até o pescoço
De não ter perdido ninguém da família pra força do rio?...
Teço um sapatinho de tricô
Para um bebê que sobreviverá à tragédia
Enquanto teço, vejo os dedinhos rosados dos pezinhos que usarão os sapatinhos
E meu coração também aquece, tem calor humano neste pensamento.
Mas é “só” UM bebê, penso
Ao que logo retruco:
Não, são dois: um bebê sem frio nos pés e uma mãe com o calorzinho de um sorriso no meio da tragédia
Ao ver seu bebê aquecido...
Não é muito, mas faço...
Pior seria o desdém, a ignorância, dar as costas
Dou meu amor, através de lãs, linhas e pontos, entrelaçando dedinhos rosados de frio
Que se tornam rosados de amor...




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