Minha mãe
- há 2 dias
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Forte. Esta parece ser a palavra que melhor descreve o que ela foi e continua sendo.
Uma mulher que muito cedo viu a vida tirar de si o consolo que é ter uma mãe por perto.
Uma mulher inteligente, mas sem oportunidades, uma mulher bonita, mas que precisou abrir mão da vaidade pessoal por sabiamente entender que existem coisas para as quais a beleza exterior não serve absolutamente para nada.
Suas origens lhe deixaram de herança o amor pela terra, pela natureza, pelas plantas, pelo verde... Uma bela sombra, uma brisa fresca e o doce ruído de um córrego era o seu lugar favorito, a sua paisagem de deleite, o suprassumo do seu prazer.
Sim, minha mãe teve uma infância difícil, uma adolescência ainda mais, e uma vida adulta de muita luta e sacrifício. Principalmente para manter unida a sua família, a todo custo, a qualquer preço.
Muitas vezes fui dura com ela, não com palavras, mas ao julgá-la, ao apontar o que para mim eram erros, em minhas avaliações mais egoístas.
Como julgá-la por não me ensinar a abraçar se ela mesma não foi abraçada? Ensinar-me a tocar se ela mesma nunca sentiu o toque carinhoso e consolador de uma mãe?
Querida mãe, aprendi com a senhora:
- Que não importa onde tenhamos nascido, o mundo é o nosso lugar; onde estamos felizes é o lugar ao qual pertencemos. Nunca me deu amarras, ao contrário, mostrou-me que eu tinha asas e que poderia voar;
- Ensinou-me que não importa tanto ser bonito por fora, temos que cuidar mesmo das coisas da nossa alma;
- Muito inteligente mas sem oportunidades, sempre com um olhar atento ao futuro de seus filhos, me ensinou a importância de aprender, e sempre que possível buscar algum tipo de conhecimento;
- Fazendo seu tricô tentou ensinar-me, sem muito sucesso, a ser paciente, e dizia: se errou, desmancha e faz de novo, desmanchar também é trabalho;
- Ouvindo sempre seu inseparável radinho de pilhas me ensinou a importância de estar a par das coisas que acontecem no mundo, e sempre que eu ia visitá-la tratava de dar uma olhada nas últimas notícias para não me sentir menos informada do que ela, mas o seu nível de informação sempre foi mais alto;
- Com toda esta firmeza me ensinou que ser mãe não é corresponder a uma imagem idealizada, mas apenas isto: ser mãe com as ferramentas que a vida nos dá...
E hoje, quando a senilidade lhe tirou um pouco a lucidez, mas lhe deu uma docilidade e um humor que eu não conhecia (pelo contrário, sempre pensei que ela seria uma pessoa difícil na velhice), me faz rir com as histórias que lembra e outras que pensa que são verdade.
Hoje entendo que minha mãe nunca errou, mas tentou desesperadamente acertar sempre, com um único objetivo: evitar o sofrimento dos filhos.
Minha homenagem a ela, minha mãe!
Dulce Scalzilli




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